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Editorial

Howard Pyle ~ April Fools, ink & methinks, 1890

“SEND THE FOOL FURTHER”
~ dito Irlandês para o dia da mentira, anônimo.

TUDA Abril ~ Maio TUDA!

Não é erro de digitação não, e nem TUDA está atrasada: esta é uma edição dupla de TUDA - Abril e Maio juntas. Foi o que deu pra fazer... E dedico esta TUDA Abril à minha mãe, que aniversariaria no dia 19... Não sei se um dia deixarei de achar que não fiz o bastante por ela... Mas o vasto mundo continua:
mundo, mundo, vasto mundo
se de mentiras fossem feitos apenas os Primeiros de Abril
não precisaríamos nem de deus nem de diabo
céu e inferno seriam um só lugar
um para descanso outro para festas
... e conviveríamos felizes com O dia da mentira. Tal qual aquele filme que mostra A noite da "purificação", onde tudo é permitido... The Purge (Uma Noite de Crime). Idéia interessante; filme medíocre; tradução lamentável. Por quê não traduziram o título para O Expurgo ou A Expurgação, para mim é um mistério. Uma Noite de Crime já julga e condena ao mesmo tempo, sem deixar nada para o consumidor. É quase tão ruim quanto A Velhinha Era Ele, conhecida piada sobre suposta tradução lusitana para Psicose, de Hitchcock. Piada injusta, diga-se de passagem... os conterrâneos não são tão tolos assim. Aquele papo de português burro, tão comum em piadas brasileiras, não procede. Pura inveja da inocência que a falta de malandragem proporciona... a capacidade de confiar no próximo até que se prove ao contrário, coisa que esquecemos há tempos! E como no Brasil malandragem é virtude, automaticamente inocência vira chacota.

Ao bem da verdade, lá nas Terras de Camões andam perdendo um pouco essa inocência... é tanto brasileiro que chega a dar medo!!! Calma! Explico: para a infelicidade das pessoas de bem, o estereótipo pindorâmico é do michê e da puta. Se não for nenhum dos dois, só pode ser bandido(a)... até que se prove ao contrário, é claro! Cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça, diz o ditado. Eu, particularmente, nunca sofri injúria, mas também não moro lá... só fui como trabalhador e turista, mas quem já morou confirma: o negócio está feio! Quase como no Japão, onde anunciam aos altos brados nas lojas, em japonês propositalmente não tão claro: "Senhoras e senhores, por favor cuidem de suas bolsas porque tem brasileiros na loja!". Se fizerem isso em Portugal, num português bem arrastado, garanto que nenhum brasileiro entende! Aqui em Dublin, graças a uma cambada de "espertos" que andam por aí, brasileiros honestos já encontram dificuldade em alugar moradia e em arrumar emprego. É o "jeitinho brasileiro" de quem gosta de levar vantagem em tudo, certo? É Gérson, Canhotinha de Ouro, mandaste mal no comercial do Vila Rica, nêgo!

É isso aí companheiros & companheiras, vamos que vamos na suja LabUTA do dia a dia, que quanto mais suja e fedorenta mais nos lembra da merda em que estamos! Tem gente que chama a Irlanda de Fazendão! Um apelido carinhoso? Pode ser... mas pejorativo também, principalmente se propagado nas redes sociais, as latrinas da internet. Ninguém deveria ser obrigado a morar num país que não quer, mas tem gente que dá essa impressão. O grande desafio do Brasil ainda é educação! É só abrir o olho pra ver! Sem ela - investimento a ser saldado em 30 anos - continuaremos a produzir ao menos dois cancros sociais: o jeitinho brasileiro e a violência. Enquanto o Brasil estiver produzindo indivíduos adeptos dessas duas práticas, não passaremos de um grande penico, a transbordar merda por todos os lados!

Não acredita? Pega um vôo vindo de Miami ou Nova Iorque!!!

QG TUDA Abril ~ de mudança...
Pelo respeito ao próximo, independente da idade, que hoje em dia, principalmente nos mais jovens (e quanto mais jovem pior), palavras como obrigado, por favor, com licença, bom dia, senhor, senhora, estão em baixa: a grande alta é mano, bagulho, e qualquer um que seja mais velho, e não importa quanto mais velho, vira tio ou tia, e vai se fuder/tomar no cú são os novos hinos!

Eles passarão... e um dia também serão passarinhos. E o tamanho de suas jaulas dependerá da vida que escolheram... a jaula pode ser pequena ao ponto de não permitir nem que se mexam, como pode ser enorme, ao ponto de não perceberem a jaula - afinal, aprisionados estamos todos, de uma maneira ou de outra... o que muda é a percepção do espaço.

Asyno Eduardo Miranda,
o (auto-proclamado) editor
deste porto ajndasseguro da jlha do Eire
oje, vigº tantº dia do qvjtº mez
d este Anno Domini de MMXIV