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Poesia - Pedro Du Bois

Horas

Carrego no pulso o relógio que me aprisiona
em horas determinadas. Na programação
esqueço a paisagem: o espaço exterior
enfada a liberdade na determinação
do tempo em ponteiros de engrenagens.
Conduzo a hora despercebida.

* * *

Madrugada

Foram três horas de madrugadas
atravessadas em dúvidas
existenciais que a última notícia
fala em sangue na morte do cântico
da igreja no apagar
das luzes e o cão no apartamento
cala o sono ao sonho. Amanhece
o corpo em esplendorosa cama.

Foram três horas de madrugadas
acesas no fechar dos olhos.